quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Você é o que Come?

Este texto é uma contribuição da nossa colaboradora Aline Del Raso, psicóloga que também participa da equipe Sallus - Saúde Integrada.

O comportamento alimentar tem bases biológicas, sociais e psicológicas. A primeira delas fala acerca da necessidade fisiológica de se alimentar, que é regulada por fatores endócrinos, metabólicos e neuronais, existindo estruturas cerebrais, tais como o hipotálamo (saiba mais aqui), que regulam as sensações de fome, sede e saciedade. A segunda nos lembra dos padrões de beleza e saúde instituídos a cada 10 anos ou a cada mudança de século, o que faz com que boa parte da sociedade trace uma busca implacável por um objetivo, muitas vezes, imposto socialmente, e distante do verdadeiro desejo de cada um. Por último consideraremos os fatores psicológicos que são os determinantes para a manutenção de um determinado comportamento alimentar, ou para uma mudança que passe por uma aceitação profunda do sujeito e uma efetiva motivação para alcançar melhor uma qualidade de vida.


A escolha por uma alimentação saudável não depende apenas do acesso a informações nutricionais adequadas. O comportamento alimentar costuma ser regulado pelo prazer que os alimentos proporcionam, e são as atitudes aprendidas desde muito cedo, na família e na sociedade, que determinam a forma como cada indivíduo se alimenta. É possível afirmar que boa parte das pessoas ainda não conseguiu desenvolver a capacidade adequada para lidar com as suas próprias emoções tendendo a traduzi-las como fome. Muitas vezes o mal estar que não pode ser descrito em palavras é literalmente engolido e substituído pelo prazer que vem de fora, proporcionado, muitas vezes, pela comida.  Logo, podemos dizer que você não é o que come, você come aquilo que você não consegue digerir psiquicamente.

Assim, antes de modificar o comportamento alimentar na tentativa de alcançar os padrões de beleza impostos pela sociedade é preciso cuidar do significado do ato de comer, nesse sentido algumas perguntas podem ser feitas: Para que eu como? O que eu compenso com a comida? Como o meu ato de comer fala de mim? Caso essas questões tragam reflexões ou algum incômodo é possível que comer não seja apenas um ato de nutrir o seu organismo. Nesse caso é aconselhado que haja um cuidado maior no entendimento da formação da sua identidade pessoal, que inclui aspectos neurofisiológicos, pessoais e sociais, assim como da sua consciência acerca do seu corpo e da sua existência.

Nesse sentido, emagrecer pode ser um ato de amor para consigo, mas pode se tornar um momento de intenso sofrimento. O que costuma ser decisivo na forma como se encara o processo é o nível de aprofundamento que se tem a respeito de si mesmo, a auto-estima, o suporte interno e o acompanhamento de profissionais qualificados e sensíveis.


Cuide de si com amor e responsabilidade. 

Aline Del Raso
CRP 03/03579
alinedelraso@yahoo.com.br