domingo, 3 de dezembro de 2017

Laxogenina... e aí?

Quase todo dia somos abordados por novos lançamentos de ativos para manipulação e produtos para
suplementação alimentar. A cada nova possibilidade de resultado, surge algum produto, igualmente novo, para a exploração comercial da idéia. Com a LAXOGENINA, não foi diferente.

Este composto, na verdade, não é novo. Foi descoberto pelos japoneses na década de 60, muito pesquisado pelos russos e isolado, novamente pelos japoneses, em 1992. Estudos da década de 80, ainda utilizando a forma "crua" (não a substância isolada), demonstraram potencial anti-inflamatório e algum potencial anti-neoplásico.

Laxosterone é o nome comercial de um produto baseado em LAXOGENINA (5-alfa hidroxi laxogenina), que é uma sapogenina esteroidal isolada da planta Smilax sieboldii (nativa da Ásia). O composto está em um grupo de 40 esteroides baseados em plantas encontrados, em pequena quantidade, em vegetais e alimentos como polen, sementes e folhas. Nas plantas, estes compostos promovem o crescimento e a vitalidade das mesmas. É um hormônio vegetal, em resumo, responsável pelo crescimento da planta. Aumenta a síntese e diminui a perda proteica mas... funciona em humanos?

Seu uso, como suplemento alimentar, começou já nos primeiros anos do século 21, sendo que faz parte de muitos suplementos alimentares, fora do Brasil. Por ter uma absorção intestinal limitada, é comum encontrar referências que digam que a melhor forma de administrá-la é a transdérmica e existem produtos com esta proposta, também fora do Brasil.

A divulgação do produto fala em ganhos musculares e de força comparáveis à oxandrolona, mas isso não parece ser bem assim. Na verdade, vamos ser bem claros: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ou seja, laxogenina é laxogenina e oxandrolona é oxandrolona. Há umas poucas semelhanças, mas são muito diferentes.

A laxogenina não vai interferir nos eixos hormonais do paciente, nem na SHBG, nem no funcionamento do T3. Não vai ser "interpretada" pelo organismo como um hormônio ou similar.

Até hoje, o que se conseguiu atestar, com o uso da laxogenina, foi aumento de força e resistência, bem como melhoria do processo de recuperação muscular e articular pós-treino e pós-lesão. Outra referência comum dos usuários é que os efeitos da substância são percebidos rapidamente após o início do uso. Tudo isso é bom?

TUDO ISSO É ÓTIMO!

Seu uso tem se mostrado positivo. Os resultados são animadores mas... ainda faltam mais estudos em humanos para termos certeza sobre seu funcionamento. Sabemos que é seguro e que promove efeitos sobre a força e a recuperação, mas paramos por aí.

Por isso eu digo, para você que é colega médico ou nutricionista e pretende utilizar o produto com seus pacientes, que use com parcimônia. Se seu paciente tem funções hepática e renal perfeitamente normais e está realmente se dedicando a um treinamento sério e comprometido, não vejo motivo para não usar. Lembre que, o que sabemos de fato é que a força e a recuperação aumentam, ou seja, é importante todo o suporte anabólico nutricional e suplementar para alcançar os objetivos. A associação com creatina, betaina anidra e/ou beta-alanina, dosadas de acordo com a realidade de cada paciente. é uma possibilidade para alcançar os melhores resultados.

Com atenção e consciência podemos promover melhores resultados aos nossos pacientes com mínimo risco.

Vamos estudar, pessoal!

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