Mais uma excelente contribuição da nossa colaboradora, a Psicóloga Débora Franco, aproveitando para comemorar o dia do Psicólogo.
PARABÉNS A TODOS OS PSICÓLOGOS!

Nós somos puro orgulho dos nossos quilinhos perdidos, mas parece que, de
repente, somos dominados pelo desejo incontrolável de comer – especificamente carboidratos
e açúcares. A sensação que dá é de que todas as lições e estratégias que foram
incorporadas no nosso novo estilo de vida se escondem nas entranhas do infinito
e só a bendita tentação vai devolver aquela paz de espírito, alegria e alívio
que nós precisamos. Faz um flashback:
o que passava na sua cabeça minutos antes de comer? Cadê os pensamentos que
controlavam nosso impulso de comer? Parece que tudo o que vem a mente é uma
série de argumentos que te dizem: se joga,
colega! É por isso que comecei o texto com a citação do poeta romano
Juvenal que destaca que o equilíbrio do corpo se reflete na saúde da mente.
Mente aqui usada figurativamente para falar dos comportamentos de pensar,
sentir e desejar. Será que seus pensamentos e anseios que levam a comer excessivamente
são aleatórios e frutos de maus hábitos?

Em palavras simples, o hipotálamo é uma região do cérebro que fica
abaixo do tálamo (o significado do nome do hipotálamo é “sob o tálamo”). Ele é
do tamanho de uma amêndoa e corresponde a 1% do volume do cérebro, entretanto isso
não diminui a sua importância e seu poder de influência. Ele controla processos
metabólicos e outras atividades fundamentais para homeostase ou equilíbrio do
organismo – tá vendo como Juvenal cai bem neste texto? Na parte que nos
interessa, ele exerce funções essenciais no processo de aprendizagem, memória,
escolha, controle e consumo de alimentos. Alguém tem dúvida que o comer
excessivo e pouco seletivo é um comportamento aprendido? Talvez sim, mas
provavelmente não soubesse que é monitorado pelo hipotálamo. Ele também pode
ser chamado de “sistema de recompensas do cérebro”, já que ele codifica e
registra cada experiência que o organismo tem com uma vivência – isso inclui a
experiência alimentar.
Comer é uma experiência sensorial forte e que pode ser associada a
momentos prazerosos (falei sobre este aspecto no ultimo post). Obviamente, seu cérebro registra isso como faz com todos os outros
comportamentos fundamentais para sua sobrevivência. A ingestão excessiva de
carboidratos se dá pelo seu valor energético, sabor e estado corporal. Exemplo:
Uma pessoa que vive profundo estresse tende a se sentir cansado, cabisbaixo e
seu corpo reflete isso com dores musculares. Uma “pequena” ingestão de
carboidratos passa a informação para o nosso sistema de recompensas
(Hipotálamo) que esta é uma boa estratégia para driblar com o desequilíbrio que
a ansiedade provoca. Por quê? Ele irá liberar serotonina e dopamina, que são
responsáveis pela sensação de bem estar. Numa outra situação semelhante,
provavelmente o corpo pedirá para você
repetir a experiência (faz isso de novo porque deu muito certo!).

Débora Franco
Psicóloga especialista em Análise do
Comportamento
(71) 9183-0049
deborafrancopsi@yahoo.com.br