terça-feira, 23 de setembro de 2014

Por que Low-Carb e Paleo?

Este post é meio longo e um pouco auto-biográfico, mas serve para que você entenda os motivos que me levaram a utilizar esta metodologia. Se você já é meu paciente, fica tudo mais claro. Se não é, terá mais material para decidir se quer vir a ser. Boa leitura!

Eu acompanho o mundo da Nutrição desde os 14 anos. Minha mãe é nutricionista e eu sempre me interessei pelo seu trabalho, por isso venho observando as mudanças há tanto tempo. Nestes mais de 20 anos, vi muitas brigas, debates, discussões, certezas novas, certezas antigas, incertezas, maluquices, modas... uma dinâmica extrema e multifacetada. Uma verdadeira torre de Babel.

Desde a faculdade de Medicina eu vinha buscando compreender melhor as relações metabólicas do corpo humano e os aspectos relativos à Nutrição, tanto do ponto de vista patológico quanto da composição corporal em si. Encontrar uma metodologia que trouxesse a oportunidade de ajudar as pessoas a alcançar e manter uma composição corporal adequada e uma saúde otimizada sempre foi uma prioridade. Isso só se concretizou um bom tempo depois.

Fiz minhas primeiras observações e ensaios em redução de carboidratos na dieta ainda durante a faculdade, mas sem um norte específico e cheio de dúvidas. Foi só quando minha filha nasceu, e minha esposa precisou perder o peso adquirido, que finalmente eu parei pra sedimentar as idéias e trabalhar em uma metodologia que fosse realmente eficaz.

Como não sou nutricionista, eu não podia trabalhar com cardápios e dietoterapia de forma direta. me restringi a organizar um pequeno grupo de orientações alimentares que fizesse o usuário cair dentro dos limites alimentares que eu intencionava, mesmo que ele não compreendesse todo o processo em detalhes. Foi minha primeira experiência com um método puramente indutivo (não em termos de análise, mas no sentido de induzir as pessoas ao caminho correto)... e deu certo!

Minha esposa, Melissa, conseguiu atingir seus objetivos facilmente e se tornou a maior incentivadora para que continuássemos desenvolvendo este processo. Comecei a utilizar a metodologia com os pacientes que eu atendia no Programa Saúde da Família e foi um grande sucesso. Muitas pessoas se beneficiaram de um método indutivo e prático, com carga de carboidratos bem baixa, mas ainda sem uma carga ideológica/antropológica que o embasasse.

Continuei estudando muito o tema. Passei por Atkins, Markham, Sears e Dukan, absorvendo suas idéias e selecionando as partes que mais me interesavam, de acordo com suas evidências, e montando um método próprio cada vez mais eficaz. Tudo estava dando certo mas eu percebia que ainda faltava mais estofo. Faltava a base bioquímica mais detalhada. O que eu utilizava na minha prática, aprendido com Dr Helion Póvoa Filho, Dr Célio, Dr Lair Ribeiro e tantos outros mestres maravilhosos que tive a felicidade de conhecer, era excelente mas me faltava entendimento mais profundo. Foi quando eu encontrei o Prof Henry Okigami e comecei a estudar Bioquímica de verdade.

Foi ótimo perceber que a base bioquímica que eu estava aprendendo me auxiliava na compreensão daquele método que eu já vinha praticando e me fez aperfeiçoá-lo. Continuo estudando tudo que o Henry ensina e cada vez mais portas se abrem através da Bioquímica.

Logo depois de encontrar o Henry, encontrei o blog do Dr José Carlos Souto (veja aqui), falando sobre o estilo de vida Paleo, baseando a alimentação, e outros aspectos da rotina diária, na forma como viviam nossos ancestrais no período Paleolítico. O material do Dr Souto é vasto e muito bem escrito. As fontes de onde ele bebeu são as originais, de Banting a Sisson e Taubes, e ele embasa de forma muito concreta tudo que escreve. Quando encontrei este maravilhoso material, percebi uma coisa: eu já estava caminhando nesta direção, apesar de não saber, detalhadamente, os motivos. Buscando criar um método que induzisse ao acerto
, eu também havia sido induzido. Ainda bem que foi em um sentido extremamente positivo!

Desde este momento, venho me dedicando a aperfeiçoar o método ainda mais. Utilizo minha estratégia indutiva, com algumas restrições e liberações específicas, para favorecer a adesão de cada paciente e para levar cada um deles a um estilo de vida mais próximo do Paleo. Quanto mais próximo conseguimos chegar, melhor, guardando os limites individuais e respeitando o tempo de evolução de cada um. Como nossa cultura alimentar foi tragicamente fraturada e distorcida ao longo dos últimos 65 anos, a transição pode ser trabalhosa, mas ela é possível e traz excelentes resultados.

Não é fácil, mas vale 100% a pena para quem resolve fazer direito.

Vou escrever mais sobre Paleo, Low Carb, alimentos específicos e outros temas interessantes a partir de hoje. Tá na hora de colocar nossas opiniões aqui para que vocês, que se interessam por nosso trabalho, possam acompanhar, opinar e debater.

Saúde e paz a todos! Let's go Paleo/Primal/Low-Carb!