sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Quem tem medo do hormônio mau, hormônio mau, hormônio mau?

Vamos falar de hormônios hoje. Sabe por quê? Porque precisamos falar muito sobre isso, esclarecer dúvidas e quebrar velhor tabus. Precisamos começar a compreender, de fato, pelo menos o pouco que realmente sabemos sobre eles para parar de pensar besteira, falar bobagem e fazer asneiras.

Antes de tudo, vamos compreender o que são hormônios.

Estas intrigantes e fantásticas substâncias, produzidas por nossas glândulas endócrinas e alguns neurônios especializados. Têm inúmeras funções no nosso organismo, servindo como um tipo de comunicação entre tecidos diferentes e distantes. Por exemplo, a hipófise produz TSH (Hormônio Tireo Estimulante) que chega na tireóide e a estimula a produzir seus hormônios, fundamentais para a regulação metabólica de todo o nosso corpo. Estes mesmos hormônios, produzidos pela tireóide, quando chegam à hipófise, através da corrente sanguínea, "informam" que a produção está ocorrendo e a liberação de TSH diminui. Interessante, né?

O que quero te mostrar é que estas substâncias chegam a outros tecidos e os incitam a "tomar atitudes", regulando suas ações e suas relações com outros tecidos, mantendo a harmonia entre os órgãos e tecidos. É isso que hormônios fazem: harmonizam o organismo... quando tudo está funcionando direitinho.

Quando não funciona, a desarmonia impera. Pense em um pâncreas que, por algum motivo, não produza insulina adequadamente. A insulina é o principal hormônio de regulação dos níveis de açúcar no nosso sangue. Se o pâncreas não consegue produzi-la direito, estamos falando da instalação de um quadro de diabetes! Quer mais desarmonia do que isso?

Este balé hormonal se manifesta, de forma muito ilustrada, no crescimento humano, no período da puberdade. Quando a criança começa a se tornar um adulto, os hormônios são responsáveis por ordenar, a diversos tecidos, que "mudem de atitude" e desenvolvam as características sexuais secundárias, começando a preparar a pessoa para a vida adulta e suas funções reprodutivas. São inúmeras alterações estruturais e de regulação entre tecidos que precisam "se comunicar" para que tudo possa ocorrer (novamente) em harmonia.

Então é isso. Já temos uma idéia de que os hormônios são sinalizadores entre tecidos e órgãos, servindo como reguladores fundamentais das funções normais do organismo e de seu desenvolvimento. São importantíssimos e eu posso te garantir, com 100% de certeza, que nenhum deles tem a "função de gerar câncer". Parece lógico, não?

Vamos agora partir para um outro raciocínio. Ao longo da infância e adolescência, falando em hormônios sexuais agora, há uma elevação paulatina dos seus níveis no sangue, notadamente a partir da adolescência. Esta elevação vai atingir seu pico entre 19 e 22 anos de idade (este período varia) e, a partir dos 25, vai alcançar um platô e... começar a cair. É isso mesmo. A partir daí, os valores vão começar a diminuir e a disponibilidade destas maravilhosas substâncias reguladoras e estimulantes do desenvolvimento do organismo vai se tornando cada vez menor. As "pausas" começam aí, apesar de só ficarem óbvias muitos anos depois.

Tome como exemplo a menopausa. Entre os 46 e 56 anos de idade, mais ou menos, as mulheres costumam "entrar na menopausa". Isto é definido como a partir do momento em que a menstruação já estiver sem acontecer há 12 meses. Pode (e deve) ser checado nos exames de sangue também. É um acontecimento bem marcante e ilustrado pela ausência do sangramento e dos sintomas que costumavam vir com ele, mas tem um detalhe importante. Esta "menopausa" não acontece neste momento, exatamente. Ela já "vem acontecendo" há muito tempo, desde quando os níveis hormonais começaram a declinar, lá na juventude dos 26 anos, culminando na ausência de menstruação agora. É o resultado de muitos anos de queda hormonal até alcançar um limiar onde os ciclos ovarianos cessam.

Sabe o que tem de mais interessante nisso? Muitos anos de queda hormonal significa muitos anos de redução da presença destes fatores químicos de harmonização entre os tecidos. Significa que, ao longo do tempo, os tecidos que dependem dos hormônios em questão para se manter regulados, foram ficando cada vez menos regulados. Menos harmônicos com o todo que é o organismo. Uma tradução disso é o próprio envelhecimento, a perda de capacidades físicas e mentais, a queda da libido e muitas mudanças comportamentais.

Agora vamos avançar este raciocínio mais um pouquinho. Se estes tecidos passam 20 a 30 anos com cada vez menos hormônios regulando suas funções, você imagina quantos problemas podem surgir ao longo de todo este tempo? Pense em uma equipe de trabalho que vai, aos poucos recebendo cada vez menos orientações de seus chefes, chegando ao ponto de nem ter mais a presença franca desta chefia. Não vão ser cometidos erros que podem levar ao fracasso do trabalho?

Por tudo isso que expliquei, trago a pergunta: será que a presença de hormônios pode trazer problemas ou, na verdade, sua falta crônica é que traz verdadeiramente soenças e distúrbios ao organismo? Você já viu pessoas jovens, cheias de hormônios naturalmente, apresentarem cânceres dependentes de hormônios ou você vê isso em pessoas com mais idade e, consequentemente, que já vivem há muitos anos em falta de níveis hormonais adequados?

Eu te digo: uma reposição hormonal bem executada, respeitando as características de cada paciente, só pode trazer muitos benefícios. Se for iniciada mais cedo, com o intuito de diminuir cada vez mais a falta destas fantásticas substâncias no nosso organismo, considerando os limites fisiológicos, melhor ainda.

Procure um profissional qualificado, que tire suas dúvidas com explicações que vão além de conceitos antigos e sem fundamento e que tenha responsabilidade em suas prescrições. Ele será seu maior aliado.